Havia eu de, um dia, cruzar-me num mundo. Cruzar-me no sentido de me encontrar mas, ao mesmo tempo, saber perfeitamente que a verdade é que estou perdido. Não que seja um problema, mas reparo que de "um dia" passou a vários "uns dias". Julgo não ser o único. O meu pouco entretenimento nas viagens rotineiras é o avaliar pessoas. Não em termos de roupa, não em termos de beleza ou de ar, mas avaliar as suas expressões e imaginar um background que me possa dar a razão de determinada emoção que transparece nos rostos de milhares de desconhecidos. É algo que me leva o pensamento para fora de mim e, mesmo após horas de ter imaginado ou tentado uma compreensão de certo estado de espírito, essas pessoas, cujas caras facilmente decoro, continuam comigo. É frequente ver pessoas com caras tristes: olhos que transmitem mesmo tristeza, inchados, a boca trémula ou imóvel, muito sossegadas, esperando que ninguém repare nelas. E quando reparam que reparam, tentam esconder o seu óbvio desconforto emocional atrás de um sorriso ou de um leve desvio de olhar...
Talvez o estranho e intrometido seja eu - o que é provável, até - mas chego mesmo a preocupar-me. Fico na eterna dúvida de "será que devia ter dito alguma coisa?", pois um simples sorriso, ou até um mais simplório "olá", pode mudar o dia, a semana de alguém. Não radicalmente, claro, mas um acto que lhes mostre que alguém se importa efectivamente, que não é necessário sentirem-se sozinhos, esconderem o que há por dentro. A verdade é que toda a gente, mesmo que o neguem e que ridicularizem tal hipótese, precisa de alguém que se importe, precisam que o mundo se importe.
E, oportunamente, escolhi a palavra "mundo" de novo, retomando o início do que queria realmente dizer.
Este mundo não é mais do que uma bola, quer na imensidão do Universo, quer nas pequeninas mãos de uma criança. Temos de decidir o portador que queremos ser, se bem que um intermédio entre os dois fosse de considerar. Imaginem, como diria o John Lennon (sim, isto foi só uma referência inútil e sem sentido ao "Imagine", visto que não vai dar a lado nenhum, pois o que aí vem a seguir pouco ou nada tem a ver com este senhor), que podíamos TODOS ver o que se passa na alma (terei utilizado a palavra correcta?) das pessoas, todos os pesares, as perturbações, tudo o que se impõe a um caminho fácil para uma felicidade oca e senseless. Seríamos diferentes? Seríamos melhores pessoas? Importar-nos-íamos com os outros? I assume not, porque a sociedade em que vivemos ensinou-nos a ser egoístas e, como se não bastasse, egocêntricos. A capacidade de "avaliar" e, depois, nos importarmos com alguém é algo que não recai sobre todos. Poderei, da forma como a sociedade me ensinou, chamar-lhe um dom, de modo a superiorizar-me em relação aos outros.
Um "olá" pode mudar o dia de alguém, fá-lo.
domingo, 17 de fevereiro de 2013
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
wander/wonder
Sentei-me, estafado, após uma deambulação infinita pelo mundo dos pensamentos. Olhei para a parede, que da minha frente não tinha saído, e constatei que continuava branca. "Que surpresa..", pensei em tom irónico e desagradável. Aí, percebi que não é por imaginar, idealizar ou mesmo desejar algo que a realidade se altera. Infelizmente, também não consigo moldar a realidade ao meu gosto, não é pedaço de barro. Muito menos segura seria, também, se todos a moldassem, quero eu dizer. Acredito, portanto, que a realidade não pode ser moldada, mas sim absorvida e colocada no seu lugar, dentro de cada um.
Depois deste tímido prólogo, passo ao episódio a que, com "deambulação", foi feita referência, com várias e largas supressões.
Julgo que acabara de almoçar, pois ainda sentia o gosto de sal e a doçura que lentamente se convertia num mau sabor deixado por uma bebida doce. Andava, num passo lento e observador, por uma rua simpática. O dia estava cinzento e, ocasionalmente, ventoso, mas não estava frio. Olhei para o chão e ri-me. Vira os meus queridos All Star, completamente chacinados mas com uma pinga de classe que não me permitia largá-los. Olho mais para o lado e vejo as pedras da calçada, incertamente colocadas, e todos os dias pisadas por milhares que as olham com indiferença - senti pena delas.. Não me recordo do que estava a ouvir, mas era algo calmo, roçando o depressivo.
Continuei a andar, rua abaixo. Não percebi o porquê de ainda não ter ido para casa, já estava sem companhia, já tinha almoçado e já tinha esgotado as razões para ter saído de casa, em coisa de 1:30h. Não tive, no momento, este raciocínio, como é claro. E assim, continuei estrada fora, mergulhado no entretenimento que todos os pequenos pormenores dos passeios me proporcionavam. A dada altura, reparei que não descia, mas estava num local plano no qual areia se sobrepunha às pedras dos passeios, o vento havia-se intensificado e estava com um bocadinho de frio. Disse, educadamente, um "adeus" aos calhaus da calçada e desviei o meu olhar para cima: o que me envolvia era já um ambiente de interligação entre uma praia e uma cidade. Felizmente para mim, havia um muro que dava para o areal, apressei-me para lá e sentei-me. Decidi desligar a minha música e guardar os meus haveres na mochila. Pus as mãos nos bolsos do casaco e enterrei o queixo por baixo da gola do mesmo, deixei expostos os meus olhos e o meu nariz, cuja ponta estava a esfriar rapidamente. Respirei fundo e, por momentos, senti a calma que constantemente envolve a maresia a envolver-me também.
Olhei para baixo e, ignorando os meus ténis mal tratados, reparei no quão perto estava do abismo - ou que estava sentado sobre ele, melhor dizendo. Estremeci. "O que estou aqui a fazer?" - pensava eu, um tanto atordoado.
Decidi ir para casa e conversar com a minha parede, aquela branca.

Depois deste tímido prólogo, passo ao episódio a que, com "deambulação", foi feita referência, com várias e largas supressões.
Julgo que acabara de almoçar, pois ainda sentia o gosto de sal e a doçura que lentamente se convertia num mau sabor deixado por uma bebida doce. Andava, num passo lento e observador, por uma rua simpática. O dia estava cinzento e, ocasionalmente, ventoso, mas não estava frio. Olhei para o chão e ri-me. Vira os meus queridos All Star, completamente chacinados mas com uma pinga de classe que não me permitia largá-los. Olho mais para o lado e vejo as pedras da calçada, incertamente colocadas, e todos os dias pisadas por milhares que as olham com indiferença - senti pena delas.. Não me recordo do que estava a ouvir, mas era algo calmo, roçando o depressivo.
Continuei a andar, rua abaixo. Não percebi o porquê de ainda não ter ido para casa, já estava sem companhia, já tinha almoçado e já tinha esgotado as razões para ter saído de casa, em coisa de 1:30h. Não tive, no momento, este raciocínio, como é claro. E assim, continuei estrada fora, mergulhado no entretenimento que todos os pequenos pormenores dos passeios me proporcionavam. A dada altura, reparei que não descia, mas estava num local plano no qual areia se sobrepunha às pedras dos passeios, o vento havia-se intensificado e estava com um bocadinho de frio. Disse, educadamente, um "adeus" aos calhaus da calçada e desviei o meu olhar para cima: o que me envolvia era já um ambiente de interligação entre uma praia e uma cidade. Felizmente para mim, havia um muro que dava para o areal, apressei-me para lá e sentei-me. Decidi desligar a minha música e guardar os meus haveres na mochila. Pus as mãos nos bolsos do casaco e enterrei o queixo por baixo da gola do mesmo, deixei expostos os meus olhos e o meu nariz, cuja ponta estava a esfriar rapidamente. Respirei fundo e, por momentos, senti a calma que constantemente envolve a maresia a envolver-me também.
Olhei para baixo e, ignorando os meus ténis mal tratados, reparei no quão perto estava do abismo - ou que estava sentado sobre ele, melhor dizendo. Estremeci. "O que estou aqui a fazer?" - pensava eu, um tanto atordoado.
Decidi ir para casa e conversar com a minha parede, aquela branca.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
"You Are a Poem"
Vi, a circular por aí, um envelope que tinha nele escrito "You are a poem". Lembrei-me logo de escrever algo sobre isto. Que significado poderei dar a um poema, em primeiro lugar? Bem, posso tentar começar por chamar-lhe uma forma de escrita específica, com ou sem rima, muito bem agrupada nas suas estrofes. Posso caracterizar os poemas pelos sentimentos que tentam transmitir às pessoas, pelos duplos significados retorcidos e até por todos os percalços que vamos encontrando à medida que deciframos uma mensagem um tanto escondida ou, como se costuma dizer, ler o que está nas entrelinhas. Ao fim ao cabo, posso, sem recorrer a conteúdos aprendidos em Língua Portuguesa, caracterizar um poema facilmente. Mas, num caso como este, em que o poema é tido como uma certa qualidade de uma pessoa, torna-se talvez um pouco mais difícil de olhar e, tal como acima está feito, dizer: um poema é isto.
Com as pessoas, é mais complexo, infelizmente. Não consigo manter, nem por míseros e escassos segundos, uma opinião "preto no branco". Porém, considero uma pessoa chamada de poema uma pessoa cheia de mistérios, dificuldades de compreensão, amor e ainda mais: personificações invertidas de elementos da natureza que, com alguma sorte, se encaixam na perfeição numa personalidade um tanto complicada; repetições perfeitamente coordenadas com dizeres que, ao ouvido de uma só pessoa, soam que nem melodias vindas do acasalar de diferentes espécies. Não sei, aquele envelope intrigou-me mal o vi. Revi cenas na minha cabeça, senti-me um verdadeiro aventureiro. Não saí do sítio e devo ter feito a viagem mais rápida de sempre pois, na minha cabeça, parti da superfície até aos confins mais escuros e bem guardados, mas tudo numa fracção de segundo. Se descobri ou não as memórias que estava à procura para fazer deste texto uma reflexão poética? Julgo que memórias correctas não me faltaram e tudo o que tirei delas foi inspiração porque, das memórias, nada mais se pode tirar do que um ligeiro sorriso e uma felicidade que outrora existiu mas, por uma razão ou outra, deixou de estar presente e ficou num canto armazenada, como que uma carta por abrir, esquecida numa gaveta qualquer...
Com as pessoas, é mais complexo, infelizmente. Não consigo manter, nem por míseros e escassos segundos, uma opinião "preto no branco". Porém, considero uma pessoa chamada de poema uma pessoa cheia de mistérios, dificuldades de compreensão, amor e ainda mais: personificações invertidas de elementos da natureza que, com alguma sorte, se encaixam na perfeição numa personalidade um tanto complicada; repetições perfeitamente coordenadas com dizeres que, ao ouvido de uma só pessoa, soam que nem melodias vindas do acasalar de diferentes espécies. Não sei, aquele envelope intrigou-me mal o vi. Revi cenas na minha cabeça, senti-me um verdadeiro aventureiro. Não saí do sítio e devo ter feito a viagem mais rápida de sempre pois, na minha cabeça, parti da superfície até aos confins mais escuros e bem guardados, mas tudo numa fracção de segundo. Se descobri ou não as memórias que estava à procura para fazer deste texto uma reflexão poética? Julgo que memórias correctas não me faltaram e tudo o que tirei delas foi inspiração porque, das memórias, nada mais se pode tirar do que um ligeiro sorriso e uma felicidade que outrora existiu mas, por uma razão ou outra, deixou de estar presente e ficou num canto armazenada, como que uma carta por abrir, esquecida numa gaveta qualquer...
domingo, 9 de dezembro de 2012
O Auto-retrato da aula de Português
De estatura baixa, perdidamente desejoso de crescer uns míseros centímetros, resta-me orgulhar-me de características psicológicas não tão comuns numa sociedade de pessoas básicas e vazias.
Tenho, como a generalidade da população do mundo, uma mente com variados pensamentos. E mais que pensamentos, tenho qualidades e defeitos bem conhecidos (ou nem por isso, talvez tenha mais desconhecidos do que conhecidos).
Não me dedico concretamente a muitas coisas, isto é, não me dedico afincadamente a quase nada. Apenas à minha insubstituível fotografia e à escrita, mas nada por aí além.
Seria de esperar que tivesse objectivos a realizar que fossem compatíveis com as actividades que desempenho actualmente. Porém, escolhi entrar em e compreender mentes conturbadas e problemáticas que por aí existem, nos vários cantos deste mundo ironicamente redondo.
Se pudesse dar um nome à ambição crescente que tenho vindo progressivamente a construir e encontrar em mim, seria "futuro", pois, afinal de contas, é para ele que trabalhamos todos os dias e é para o atingir que nos levantamos e mergulhamos na infindável monotonia da nossa rotina.
Tenho, como a generalidade da população do mundo, uma mente com variados pensamentos. E mais que pensamentos, tenho qualidades e defeitos bem conhecidos (ou nem por isso, talvez tenha mais desconhecidos do que conhecidos).
Não me dedico concretamente a muitas coisas, isto é, não me dedico afincadamente a quase nada. Apenas à minha insubstituível fotografia e à escrita, mas nada por aí além.
Seria de esperar que tivesse objectivos a realizar que fossem compatíveis com as actividades que desempenho actualmente. Porém, escolhi entrar em e compreender mentes conturbadas e problemáticas que por aí existem, nos vários cantos deste mundo ironicamente redondo.
Se pudesse dar um nome à ambição crescente que tenho vindo progressivamente a construir e encontrar em mim, seria "futuro", pois, afinal de contas, é para ele que trabalhamos todos os dias e é para o atingir que nos levantamos e mergulhamos na infindável monotonia da nossa rotina.
sábado, 20 de outubro de 2012
Nostalgia can get you killed *ironic laughs*
E quando cais na monotonia de um momento, dia, estado espírito? Aliás, quando o teu estado de espírito é tão monótono que perdes qualquer possibilidade de resposta a seja o que for? Aí, nada resta a fazer senão esperar, preso num momento infindável. Começas a sentir-te inundado pela penumbra e uma sensação de solidão apesar de, ironicamente, estares rodeado de pessoas. Se pudesse retratar esta situação, seria com um enorme espaço preto com uma janela para o mundo. Porém e, novamente de forma irónica, não consegues utilizá-la para te escapares ao incomodativo silêncio do sentido, só te ouves a ti e até a tua própria voz te parece não estar em contacto com o teu cérebro. Enlouqueces. Não de forma óbvia nem exteriormente, mas como uma loucura silenciosa que te corrói por dentro, devagarinho, como se de uma aranha a tecer a sua teia aos poucos se tratasse. Nessa teia, és convidado e o anfitrião imobilizou-te naquele momento glaciarmente gelado. Insistindo ainda na analogia da teia e da aranha, debater-te-ás como um insecto em pânico.. e de nada vai adiantar. Ou, com muita sorte, a aranha te deixa tornar à tua vida ou és simplesmente engolido. A única diferença entre estas duas realidades é que na da aranha tudo acaba rápido ..
Dizem que a vida é feita (repleta) de momentos, não é? Pergunto-me, embora isto seja uma afirmação dita por uma "massividade" de pessoas, se será mesmo verdade... Os momentos sem vida contam como esses momentos fenomenais dos quais ouvimos falar, vezes e vezes sem conta? Pois assumo que não. Nunca na minha (ainda curta) vida reparei em referência a algum tipo de paragem numa solidão inultrapassável. Talvez me aconteça só a mim, quem sabe..?
Dizem que a vida é feita (repleta) de momentos, não é? Pergunto-me, embora isto seja uma afirmação dita por uma "massividade" de pessoas, se será mesmo verdade... Os momentos sem vida contam como esses momentos fenomenais dos quais ouvimos falar, vezes e vezes sem conta? Pois assumo que não. Nunca na minha (ainda curta) vida reparei em referência a algum tipo de paragem numa solidão inultrapassável. Talvez me aconteça só a mim, quem sabe..?
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
O meu amor de morango
Surgiu este título numa conversa comum, uma como tantas outras que se vão tendo. No entanto, as pessoas diferem umas das outras e nem sempre ou, melhor dizendo, raramente se encontram incentivos à escrita como este.
Mal li a frase onde esta .. chamemos-lhe expressão.. estava inserida, ocorreu um acender de luzes na minha cabeça. Comecei a imaginar e a compôr o texto, devagar e com carinho. Acabou por ser uma ideia que me passou ao lado, ainda que, uns tempos depois, tenha vindo aqui de propósito para fazer honra à palavra que dei em como iria escrever um texto sob este título. Porém, terei de fantasiar um pouco...
"Amor de Morango" remete-me, quase imediatamente, para o Verão. Talvez por estar ligado a um sabor de gelado, talvez por ter aliado esta expressão ao mítico significado do "amor de verão", ou talvez por a dita expressão ter sido balbuciada numa noite de verão..
Se tentasse dar um significado definitivo a "amor de verão", seria exactamente um sabor de gelado. Porquê? Bem, porque, apesar de ser um amor pouco duradouro e frio, é um amor doce e capaz de nos estampar um sorriso na cara como mais nada consegue. Esperem... Isto remete-me para o dito amor, mas agora não metaforizado como um gelado. Foi, de facto, uma engraçada e oportuna escolha de adjectivos para ligar os dois possíveis amores de verão. Não condenando o outro, julgo que o gelado será uma escolha mais segura pois a maior dor que nos poderá dar será uma dor de barriga, ou seja, nada que não se aguente e não se ultrapasse rapidamente. Já o outro ... pode, tal como o gelado, acabar sem deixar dor alguma mas, regra geral, deixará dores na barriga de cima, aquela que precisa de ser alimentada e não é, pelo menos não tão regularmente.
Despeço-me desta forma de um verão que rapidamente nos passou pela frente e nos deixou a chorar por mais, tal como um amor de morango faz.
Mal li a frase onde esta .. chamemos-lhe expressão.. estava inserida, ocorreu um acender de luzes na minha cabeça. Comecei a imaginar e a compôr o texto, devagar e com carinho. Acabou por ser uma ideia que me passou ao lado, ainda que, uns tempos depois, tenha vindo aqui de propósito para fazer honra à palavra que dei em como iria escrever um texto sob este título. Porém, terei de fantasiar um pouco...
"Amor de Morango" remete-me, quase imediatamente, para o Verão. Talvez por estar ligado a um sabor de gelado, talvez por ter aliado esta expressão ao mítico significado do "amor de verão", ou talvez por a dita expressão ter sido balbuciada numa noite de verão..
Se tentasse dar um significado definitivo a "amor de verão", seria exactamente um sabor de gelado. Porquê? Bem, porque, apesar de ser um amor pouco duradouro e frio, é um amor doce e capaz de nos estampar um sorriso na cara como mais nada consegue. Esperem... Isto remete-me para o dito amor, mas agora não metaforizado como um gelado. Foi, de facto, uma engraçada e oportuna escolha de adjectivos para ligar os dois possíveis amores de verão. Não condenando o outro, julgo que o gelado será uma escolha mais segura pois a maior dor que nos poderá dar será uma dor de barriga, ou seja, nada que não se aguente e não se ultrapasse rapidamente. Já o outro ... pode, tal como o gelado, acabar sem deixar dor alguma mas, regra geral, deixará dores na barriga de cima, aquela que precisa de ser alimentada e não é, pelo menos não tão regularmente.
Despeço-me desta forma de um verão que rapidamente nos passou pela frente e nos deixou a chorar por mais, tal como um amor de morango faz.
| Fotografia: Catarina Oliveira e Silva |
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Don't fake a smile, find reasons to have a real one
As ideias para escrever têm surgido como chuva em Inglaterra, no entanto, quando aqui chego, faltam-me palavras ou mesmo ideias que liguem pensamentos de forma oportuna, não se notando com elas as quebras que tenho no raciocínio.
Vejo um sorriso falso, aqui e ali. Eles perseguem-me. Percebo perfeitamente o porquê de os ver, não a razão de terem de os usar, mas o porquê de o fazerem. Temos tendência a mostrar-nos fortes, a mostrar que não arredamos pé e que estamos sempre ao nosso máximo. Teremos essa tendência até ao dia em que, por sorte ou perspicácia, percebermos que é mais doloroso guardar coisas que são feitas para andarem por aí do que deixá-las simplesmente fugir enquanto estão frescas. Enfim, nesta sociedade, tentamos sempre dar a faceta feliz e segura, ainda que não passe de uma fachada mal engendrada por um encenador preguiçoso. E, como maus encenadores que somos, esquecemo-nos frequentemente da participação de outros actores na peça, intervenientes esses que, obviamente, mudarão o rumo dos acontecimentos e a forma como se desenrola toda uma história - a nossa, neste caso. Mas, para além de maus encenadores, conseguimos também ser maus actores. Reconheço nas pessoas alturas em que lhes é já impossível compactuar mais com o próprio guião, com a decisão de deixar tudo bem lá no fundo, com o seu modo de vida um tanto errado. Com isto, tento reforçar uma ideia de preguiça, ou melhor, de não-esforço em guardar tanto mal dentro de um pequeno recipiente.
A sociedade em que vivemos obriga-nos a ser assim. Aquilo que devia ser uma interacção constante, até uma harmonia, tornou-se um bicho de sete cabeças que nos julga até perdermos a nossa. E quando isso acontece, aparecem-nos duas opções: Fresh Start ou Never Mind. Em ambas, temos consciência da decisão que estamos a tomar. Porém, apenas numa conseguimos garantir um regresso a uma vida melhor, um regresso que determine uma derrota da sociedade, uma derrota de quem quer que nos tenha levado tão baixo. Gostava de sublinhar que, em tudo o que fazemos, devemos procurar a vitória e não nos devemos contentar com um empate ou uma mísera derrota.
Revejo-me a retomar hábitos antigos, como o de desviar-me completamente do tema inicial, com gosto e felicidade - da verdadeira - e isto faz-me sentir um carinho por mim, pelo meu interior e faz-me apreciar-me mais enquanto pessoa, coisa que, novamente por culpa da sociedade, muitas pessoas não fazem.
Vejo um sorriso falso, aqui e ali. Eles perseguem-me. Percebo perfeitamente o porquê de os ver, não a razão de terem de os usar, mas o porquê de o fazerem. Temos tendência a mostrar-nos fortes, a mostrar que não arredamos pé e que estamos sempre ao nosso máximo. Teremos essa tendência até ao dia em que, por sorte ou perspicácia, percebermos que é mais doloroso guardar coisas que são feitas para andarem por aí do que deixá-las simplesmente fugir enquanto estão frescas. Enfim, nesta sociedade, tentamos sempre dar a faceta feliz e segura, ainda que não passe de uma fachada mal engendrada por um encenador preguiçoso. E, como maus encenadores que somos, esquecemo-nos frequentemente da participação de outros actores na peça, intervenientes esses que, obviamente, mudarão o rumo dos acontecimentos e a forma como se desenrola toda uma história - a nossa, neste caso. Mas, para além de maus encenadores, conseguimos também ser maus actores. Reconheço nas pessoas alturas em que lhes é já impossível compactuar mais com o próprio guião, com a decisão de deixar tudo bem lá no fundo, com o seu modo de vida um tanto errado. Com isto, tento reforçar uma ideia de preguiça, ou melhor, de não-esforço em guardar tanto mal dentro de um pequeno recipiente.
A sociedade em que vivemos obriga-nos a ser assim. Aquilo que devia ser uma interacção constante, até uma harmonia, tornou-se um bicho de sete cabeças que nos julga até perdermos a nossa. E quando isso acontece, aparecem-nos duas opções: Fresh Start ou Never Mind. Em ambas, temos consciência da decisão que estamos a tomar. Porém, apenas numa conseguimos garantir um regresso a uma vida melhor, um regresso que determine uma derrota da sociedade, uma derrota de quem quer que nos tenha levado tão baixo. Gostava de sublinhar que, em tudo o que fazemos, devemos procurar a vitória e não nos devemos contentar com um empate ou uma mísera derrota.
Revejo-me a retomar hábitos antigos, como o de desviar-me completamente do tema inicial, com gosto e felicidade - da verdadeira - e isto faz-me sentir um carinho por mim, pelo meu interior e faz-me apreciar-me mais enquanto pessoa, coisa que, novamente por culpa da sociedade, muitas pessoas não fazem.
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