Rodeado de céus torrados,
Enchi-me de manteiga
Para atingir uma combinação -
Uma que fosse -
Que me saísse correcta.
Entranhas, músculos lacerados,
Que cantavam de forma meiga,
Impunes, pedindo coração.
[O MUNDO CALOU-SE]
Inúmeras partes da colecta
Se haviam desfeito -
Dela, de si, de tudo.
A desconstrução era una.
Una e absoluta.
Um cenário apocalíptico
Abria-se num estrondo mudo:
E o mundo, do topo de uma coluna,
Caía [que filho da puta].
segunda-feira, 30 de março de 2015
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
lamento pedonal
Quis escrever; perdi-me no como - merda. Terei perdido este pseudo-requinte que me conferia distinção? Serei tão ou mais mortal, como todos os outros?
Resignar-me à minha pequenez não foi tão aprazível como julguei que tal se constituiria. Desci um degrau figurativo para poder ficar equiparável a todos os outros, mas com uns centímetros de alma a mais - figurativamente, de novo, porque as almas não se medem aos palmos. A alma conta muito. Tanto. É imensa. [quero uma alma e olhar para as vossas] Querer é tão pequeno e tão humano que não quero querer. Lá está de novo. Que aborrecimento isto de pertencer ao mundo.
Terei de optar entre pertencer a todos ou a mim? Haverá meio termo designável?
Não sou poeta. Não escrevo prosa decente. Eu sei lá se sei escrever. Não saber é um dado adquirido, o único ganho constante na manhã - sou um Sócrates actual e menos acreditado. Hei eu de ser envenenado na praça pública por não aceitar resumir-me a tão-lindas convenções.
Ingrato conotá-las desta forma; lindas são as mulheres. E as almas. As almas são mulheres, são figuras femininas que coabitam entre o nosso mundo e outro qualquer. [sou mundano e quero desfrutar dos meus prazeres mundanos]
Tenho todo o direito de Bukowskizar, a ser eminentemente do povinho, mas constantemente um passo à frente. Sou espectador e intervenho quando posso tocar.
Resignar-me à minha pequenez não foi tão aprazível como julguei que tal se constituiria. Desci um degrau figurativo para poder ficar equiparável a todos os outros, mas com uns centímetros de alma a mais - figurativamente, de novo, porque as almas não se medem aos palmos. A alma conta muito. Tanto. É imensa. [quero uma alma e olhar para as vossas] Querer é tão pequeno e tão humano que não quero querer. Lá está de novo. Que aborrecimento isto de pertencer ao mundo.
Terei de optar entre pertencer a todos ou a mim? Haverá meio termo designável?
Não sou poeta. Não escrevo prosa decente. Eu sei lá se sei escrever. Não saber é um dado adquirido, o único ganho constante na manhã - sou um Sócrates actual e menos acreditado. Hei eu de ser envenenado na praça pública por não aceitar resumir-me a tão-lindas convenções.
Ingrato conotá-las desta forma; lindas são as mulheres. E as almas. As almas são mulheres, são figuras femininas que coabitam entre o nosso mundo e outro qualquer. [sou mundano e quero desfrutar dos meus prazeres mundanos]
Tenho todo o direito de Bukowskizar, a ser eminentemente do povinho, mas constantemente um passo à frente. Sou espectador e intervenho quando posso tocar.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
ser até
A saudade mata
E perfila.
Tu és até onde
A saudade te deixa ser.
Ter saudade é um fim
- último e pequeno.
Nos versos há rima
E a vida é prata;
O homem vacila
E a vida logo se esconde;
Fosse eu de poder
Para ti, por ti e para mim,
O poema é moreno
E o Norte já não é tão acima.
sábado, 7 de fevereiro de 2015
marxismo de abundância
Edifica o futuro
E materializa tenros laços.
Ser dois ou ser um só
É fácil e complementar.
Utopia-me:
Fiquemos bem no escuro,
Existindo em belos traços;
Num idealização de dó
Ou de notas outras que queiras tocar.
Utopia-me.
E materializa tenros laços.
Ser dois ou ser um só
É fácil e complementar.
Utopia-me:
Fiquemos bem no escuro,
Existindo em belos traços;
Num idealização de dó
Ou de notas outras que queiras tocar.
Utopia-me.
sábado, 31 de janeiro de 2015
marasmo
Solto o sol
E monto-te a saudade
E o sal no corpo -
Que se retorce, com frio.
Leva-me a pena, o lápis e a caneta
E finge-me ser presa, anzol,
Neste mar, que é verdade.
Tão verdade quanto o Morto,
Pútrido, pequeno, tortuoso,
E eternamente colado à meta.
Um adeus sumptuoso,
A premonição de um olá que não chega:
Quem lhe disse a si que era bom ser poeta?
E monto-te a saudade
E o sal no corpo -
Que se retorce, com frio.
Leva-me a pena, o lápis e a caneta
E finge-me ser presa, anzol,
Neste mar, que é verdade.
Tão verdade quanto o Morto,
Pútrido, pequeno, tortuoso,
E eternamente colado à meta.
Um adeus sumptuoso,
A premonição de um olá que não chega:
Quem lhe disse a si que era bom ser poeta?
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
tremor
Começar a existir consome.
Tu, que existes e és invariavelmente alguém,
Mostra que podes. Que és.
Alimenta-me de poesia.
Mata-me a fome
Mata-me o desdém.
Mata-me a mim, que derivo entre ser e existir.
Tu, que existes e és invariavelmente alguém,
Mostra que podes. Que és.
Alimenta-me de poesia.
Mata-me a fome
Mata-me o desdém.
Mata-me a mim, que derivo entre ser e existir.
domingo, 26 de outubro de 2014
pântanos engarrafados
Não gosto de garrafões meio-vazios.
Tamanha monstruosidade
Com um peso vazio de si:
Uma carcaça sem conteúdo
Que libera nada
E banha a alma aprisionada.
Plástico que se perde em rios -
Daqueles de verdade -
Onde, afogado, vivi;
Cego, surdo, mudo,
De personalidade impregnada
De cheiros e mente alagada.
Tamanha monstruosidade
Com um peso vazio de si:
Uma carcaça sem conteúdo
Que libera nada
E banha a alma aprisionada.
Plástico que se perde em rios -
Daqueles de verdade -
Onde, afogado, vivi;
Cego, surdo, mudo,
De personalidade impregnada
De cheiros e mente alagada.
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